Gripe A 2009

Gripe A 2009Gripe A 2009 Há muito que os cientistas alertaram para o perigo que as suiniculturas representavam. Mesmo durante o surto da gripe aviaria receava-se que a recombinação genética que conferisse ao vírus capacidade de transmissão pessoa-a-pessoa ocorresse no porco. Isto porque ambos os vírus, o da gripe das aves e o da gripe humana, foram encontrados no porco. Ainda no ano passado, peritos de um instituto de investigação norte-americano (Pew Research Center) divulgaram um relatório sobre produção animal em fazenda industriais, onde se lia: “Os contínuos ciclos de vírus e outros agentes patogénicos de origem animal que ocorrem em grandes manadas ou rebanhos aumentam as oportunidades para gerar novos vírus gripe A através de mutações ou recombinações, que podem conferir maior capacidade de transmissão pessoa-a-pessoa”. Ou seja, para o vírus as grandes fazendas industriais funcionam como o euromilhões, sendo cada porco um boletim de apostas, e o prémio conseguir infectar o Homem.

Gripe A 2009

Quantos mais porcos, mais combinações genéticas e mais hipóteses de sair a chave premiada. Em Abril de 2009, Mike Davis, historiador e autor de um livro sobre a gripe aviária intitulado “O monstro bate à nossa porta”, denuncia também a situação anterior num artigo de opinião no jornal britânico “The Gardian”. Afirmou ele: “talvez não seja prudente que o México não tenha nem capacidade nem vontade política para monitorizar as doenças do gado, mas a situação dificilmente é melhor a norte da fronteira, onde a vigilância é uma fracassada manta de retalhos de jurisdições estatais, e os criadores de gado empresariais tratam os regulamentos de saúde com o mesmo desdém com que lidam com trabalhadores e animais”. Davis argumenta ainda que a actual pandemia prova o fracasso do sistema de vigilância da OMS e dos centros para o Controlo de Doenças norte-americanos. E para este fracasso, segundo Davis, contribuíram erros como a falta de investimento na monitorização dos novos vírus e em infra-estruturas científicas. Uma coisa é certa: a actual gripe A H1N1  pandémica é mesmo de origem suína. Há outra característica das pandemias a ter em conta, porque ajuda a perspectivar cenários para a Gripe A: geralmente as pandemias surgem por ondas, isto é, depois de uma primeira vaga de infecções ocorre um período de acalmia após o qual há nova vaga. Em média ocorrem uma a três ondas por pandemia, com cada onda a durar entre oito e doze semanas. E com intervalo entre elas a poder ser de apenas um mês. Neste aspecto as pandemias do século XXI revelam cenários distintos. A gripe Espanhola registou três ondas. A primeira assemelhou-se a uma gripe normal e afectou sobretudo os indivíduos mais velhos, ou os que sofriam de outras doenças. A segunda foi muito mais mortífera, tal como acontecera na pandemia de 1989, sendo responsável por 90% das mortes que, na sua maioria, ocorreram em adultos jovens. Portugal registou duas ondas, cada uma com a duração de dois meses. A Gripe Asiática começou em Fevereiro de 1957 e foi a primeira pandemia em que as vacinas estiveram disponíveis. As vacinas surgiram em Agosto, ainda que em pequena quantidade, pelo que chegaram a tempo do pico da onda, que atingiu um grande número de crianças em idade escolar. Após uma grande quebra no número de infecções o vírus voltou em Fevereiro, mas desta vez causou problemas mais graves na população mais idosa. Em Portugal houve apenas uma onda com a duração de dois meses e meio. A maioria das vítimas mortais pertencia à faixa etária entre os zero e os quatro anos de idade ou superior aos 70 anos. A Gripe de Hong Kong foi a que registou um maior intervalo entre as ondas, cerca de um ano. O maior número de mortes aconteceu na população com mais de 65 anos.

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